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Filme e debate sobre sufragistas atraem mais servidoras que servidores

18/10/2016 17:40

 

Cerca de quarenta pessoas, a maioria mulheres, compareceram à exibição do filme As Sufragistas, de Sarah Grayson, no auditório do Interlegis, na tarde desta 2ª feira, 17 de outubro, em atividade da ampla programação do Mês do Servidor e da Servidora, realizado pelo Programa Pró-equidade de Gênero e Raça e pelo Comitê pela Promoção da Igualdade de Gênero, com apoio da Procuradoria Especial da Mulher do Senado.

A sessão foi complementada por um debate com Danusa Marques, professora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e integrante do Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades – Demodê. “O filme trata de um tema nada démodé (fora de moda)”, destacou  Paulo Ricardo dos Santos Meira, diretor da Secretaria de Gestão de Pessoas. Ele lamentou a pequena a presença de homens no público presente.

 

Política

No debate sobre o filme, Danusa Marques contextualizou a luta referida na trama e abordou temas mais amplos, como a exclusão de mulheres e também de trabalhadores em textos clássicos da reflexão política da modernidade. As primeiras não eram consideradas sujeitas livres, em razão da subordinação ao poder patriarcal na esfera privada; já os trabalhadores, em razão de alienarem sua propriedade, sua força de trabalho.

A partir do marco inicial da luta sufragista, Danusa mencionou quatro diferentes momentos do movimento feminista, destacando o valor contemporâneo da diversidade e pluralidade presente entre as próprias mulheres, em razão de variáveis como classe, raça ou orientação sexual. A frase de divulgação do filme – “eu prefiro ser uma rebelde a ser uma escrava” – gerou protestos das militantes negras brasileiras, lembrou a professora.

Com base numa obra de Iris Young, Justiça e Política da Diferença, Danusa refletiu também sobre cinco mecanismos de opressão que atingem as mulheres e produzem diferentes contextos de luta e definição de táticas de resistência: a exploração econômica, a marginalização (afastamento, apartação), o desempoderamento (falta de investimento, de expectativa positiva), o imperialismo cultural (imposição de padrões) e a violência sistemática (esperada, advertida, prevista ou consentida).

 

Sub-representação

A luta evocada no filme inglês As Sufragistas, de Sarah Grayson, teve sua contrapartida em todas as partes do mundo. Schuma Schumaher e Antonia Ceva tomaram as sufragistas como um dos marcos em Mulheres no Poder – trajetória na política a partir da luta das sufragistas do Brasil, livro que recupera a memória de mulheres negras, brancas e indígenas em nossa luta política.

Mesmo com a conquista dos direitos de votarem e serem votadas, vitória das chamadas sufragistas, as mulheres continuam sub-representadas na política. Nas eleições municipais de 2016, o número de vereadoras eleitas cresceu de modo ínfimo em relação a 2012 e o de prefeitas caiu. Nesse ritmo, segundo uma projeção realizada pelo Instituto Patrícia Galvão, só daqui a 100 anos a representação feminina igualará a masculina.

A modificação desta situação é objeto principal da bancada feminina do Congresso, por meio da PEC 134 e da campanha Mais Mulheres na Política, organizada pela Promul e pela Secretaria da Mulher da câmara dos Deputados, que prevê reserva de cadeiras para serem efetivamente ocupadas pelas candidatas mais votadas.

 

 

Fonte: Portal Procuradoria Especial da Mulher no Senado Federal